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domingo, 29 de janeiro de 2017

Ex-prefeito é executado com tiro na cabeça em chácara em Mato Grosso; ele era acusado de pistolagem


Denise Soares
Do G1 MT

O ex-prefeito Luiz Carlos Machado, o Luiz Bang, de 61 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça, nesta sexta-feira (27), na chácara dele, em Confresa, a 1.160 km de Cuiabá. De acordo com a Polícia Civil, Luiz Carlos estava com a família quando foi baleado. A principal tese é o crime de execução, já que não há sinais de assalto na propriedade.

Luiz Carlos foi prefeito de Porto Alegre do Norte, município a 1.143 km da capital mato-grossense. Atualmente ele administrava a chácara e era proprietário de um garimpo no Pará. O assassinato ocorreu por volta de 20h [horário de Mato Grosso], na chácara que fica na BR-158.

“Ele estava em casa, na chácara, com familiares, a esposa e algumas pessoas. Ele estava na área e houve um disparo de arma. O tiro acertou a cabeça dele. A princípio ninguém viu quem teria atirado”, explicou o delegado André Rigonato.Os próprios familiares socorreram o ex-prefeito até um hospital da região, porém, Luiz Carlos não resistiu e morreu. A Polícia Civil investiga o caso e deve ouvir formalmente as pessoas que estavam na chácara no momento do disparo.

O ex-prefeito, conforme informações do Ministério Público Estadual (MPE), era temido na região e chegou a ocupar uma lista dos pistoleiros mais perigosos do país. Ele prestou depoimento na CPI da pistolagem, em 1993, em Brasília.

Luiz Carlos também era acusado de tentar matar um ex-prefeito, em 1988, além de ser acusado de aliciamento e tráfico de trabalhadores para fazendas de Mato Grosso e Pará.
O corpo do ex-prefeito deve ser velado na chácara dele. Não há informações do enterro de Luiz Carlos.

Preso pela Polícia Federal em 2009, Luiz Bang era apontado como um dos maiores pistoleiros do país

O ex-prefeito de Porto Alegre do Norte, Luiz Carlos Machado, preso em 2009, durante a Operação Pluma que combatia a prática de grilagem de terras no Vale do Araguaia, já foi considerado o 5º pistoleiro mais perigoso do país. Em função disso ele prestou depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito da Pistolagem ocorrida entre 1991 e 1993 na Câmara Federal.

Na época em que foi chamado para depor na CPI, o nome de Luiz Bang, como era conhecido, também foi envolvido com o assassinato do ex-senador Olavo Pires, morto num hotel de São Paulo, que era pré-candidato a governador de Rondônia.

Bang foi apontado no inquérito da Polícia Federal como pistoleiro e responsável por desmate, venda de áreas griladas, falsificação de escrituras e ameaças. O promotor da região, Leandro Volochko, relatou no processo que Luiz Bang atuava desde 1994 na localidade cometendo ilícitos da espécie.

De acordo com o inquérito da PF, Luiz Bang era ligado ao grupo do sub-tenente Moreira, citado no processo, e atuava junto com Camilo de Lélis Brasileiro Pereira, envolvido no esquema. O ex-prefeito também era responsável por providenciar a escrituração falsa dos lotes.

Ainda de acordo com o processo Camilo e Luiz Bang atuavam em conjunto, inclusive ameaçando juízes da região e promovendo a invasão de terras da União, havendo notícia de que pagavam propina a servidor do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e para agilizar a entrada na posse.

O Bang também respondia por crimes de homicídios. Em 2006, ele foi julgado e absolvido no caso em que era acusado de mandar matar o ex-prefeito Rodolfo Alexandre Inácio, o Cascão, a esposa Fernanda Macruz, e o amigo Avelino Pereira Coelho, em novembro de 1988.

A absolvição, no entanto, pode ter ocorrido por Bang ter pressionado um dos jurados e ameaçado o promotor Leandro Volochko e o juiz Gerardo Umberto Júnior. A Promotoria recorreu da decisão junto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

O ex-prefeito também já foi preso por exploração de trabalho escravo. Em 2003, foi processado pela prática de trabalho escravo na Fazenda Cinco Estrelas, em Mundo Novo (MT). Ele chegou a ser preso, mas solto logo em seguida.


Bang também já foi preso em flagrante por promover quebra-quebra na Câmara Municipal de Confresa em maio de 2006. Em 2008, Bang tentou voltar para Prefeitura de Porto Alegre do Norte, porém teve o registro de candidatura cassado por improbidade administrativa. 

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