ANTES NÃO TINHA

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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Vida ao Centro Histórico

Por muitos anos a imagem do Centro Histórico de São Luís esteve relacionada ao abandono de um dos mais exuberantes e ricos conjuntos coloniais e arquitetônicos do planeta. Por isso mesmo, São Luís foi reconhecida pela Unesco cidade patrimônio cultural da humanidade, em meados da década de 90.
Esquecida por sucessivos governos e pelos “nobres” detentores de casarões, que se desmancham em ruínas, o Centro Histórico voltou a respirar cultura, turismo e convivência. As ruas, praças e becos, que serviam como locus para a prática delituosa, passaram a ser frequentadas pela população, que, passo a passo, vai tomando para si este patrimônio, que lhe pertence.
Várias iniciativas propiciam esta virada de página. Entre as quais a acertada política executada pelo governador Flávio Dino, que colocou entre as prioridades das políticas públicas do turismo três grandes polos – Centro Histórico, Lençóis Maranhenses e Chapada das Mesas.
No polo que compreende São Luís e Alcântara destacam-se a recuperação de casarões, equipamentos culturais e praças, em parceria com os governos do federal e municipal. A reforma da Praça Nauro Machado; do Teatro Alcione Nazaré; da Casa de Cultura Josué Montello; a Escola de Música; o Convento das Mercês; a Praça da Alegria; além de investimentos privados, como o Centro Cultural da Vale, entre outras.
Para além da melhoria estrutural, a programação cultural e feiras atraem maranhenses e turistas de outros estados e países a conhecerem os encantos de nosso Centro Histórico. Ações que conferem vida ao paço da história ludovicense, como a Feirinha de São Luís, realizada na Praça Benedito Leite. Este é por certo dos melhores exemplos capazes de sintetizar a mudança porque passa o nosso Centro Histórico. Naquele espaço, antes silente e macambúzio, passeia a alegria, a inclusão, a confraternização, aliando oportunidade e entretenimento. A cidade cuidando e se apropriando da cidade. Famílias, pais, filhos, jovens, crianças, amigos que se reencontram para conversar e admirar as belezas de nossa terra.
Oportunidade para pequenos produtores familiares e do artesanato local para comercializarem seus produtos. Os grupos culturais, que encontram mais um espaço para apresentar seus talentos.
A cidade está redescobrindo seus encantos e de sua gente. O projeto Férias Culturais, Quinta do Reggae e Mais Cultura e Turismo dão vida, liberdade e alegria às ruas da Praia Grande. A juventude revisitando cartões postais, como as fontes das Pedras e do Ribeirão. Integrando turismo, história e cultura.
Todo este conjunto de iniciativas suplanta quase duas décadas de descaso. Mas há quem pragueje contra nossa cidade, sob pretexto de que estaria abandonada, e tente atribuir a esta um descaso e abandono patrocinado pelos apreciadores de penínsulas, ilhas cada vez mais distantes do povo. Adoradores do poder, que em meio século pouco fizeram e sempre que têm oportunidade agem nas sombras para evitar que São Luís e Maranhão reencontrem sua vocação para o desenvolvimento com inclusão social, valorizando nossa cultura e nosso patrimônio.
Radialista, jornalista. Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM

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